Ciência e Prevenção: Gilsânia Cruz detalha os desafios do clima e a precisão da meteorologia catarinense

O estúdio da Rádio Divino Oleiro 105.5 FM recebeu a meteorologista Gilsânia Cruz, da Epagri/Ciram. No programa Veja Bem, o apresentador Rafinha de Lima conversou com a meteorologista que com uma entrevista esclarecedora e muito didática, explicou o funcionamento dos fenômenos climáticos que impactam o Sul do Brasil, detalhou a robusta estrutura de monitoramento de Santa Catarina e reforçou a importância do trabalho preventivo para salvar vidas e proteger a população.

Santa Catarina é referência nacional em monitoramento climático, contando com mais de 300 estações meteorológicas espalhadas estrategicamente pelo território. De acordo com Gilsânia, essa é uma das maiores e mais completas redes do Brasil, sendo a espinha dorsal para que os profissionais consigam analisar dados em tempo real. Aliada ao uso de modernos supercomputadores e modelos meteorológicos de última geração, essa estrutura permite que as previsões do tempo alcancem hoje uma impressionante taxa de até 95% de acerto.

Durante o bate-papo, a especialista relembrou um marco histórico da instituição: a previsão pioneira do Furacão Catarina, em 28 de março de 2004. Por se tratar de um evento extremamente raro no Atlântico Sul, a atuação precisa da equipe da Epagri ao identificar e alertar sobre o fenômeno antes de ele tocar o solo catarinense rendeu aos profissionais prêmios e profundo reconhecimento nacional e internacional.

Gilsânia também trouxe explicações fundamentais para o público leigo entender a dinâmica do clima no estado. Ela destacou que o litoral age como um regulador térmico e tem influência frequente da circulação marítima, o que favorece condições do tempo e temperaturas diferentes entre a costa e o interior catarinense. Na sequência, explicou didaticamente o El Niño, definindo-o como um fenômeno global e natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera o padrão de ventos na atmosfera e bloqueia frentes frias e outros sistemas meteorológicos instáveis, não só as frentes frias.

A especialista alertou que o El Niño muda a cada ciclo e carrega uma “assinatura” diferente. No período de 2023/2024, o fenômeno trouxe chuvas muito persistentes e volumosas, estando atualmente no auge de suas expectativas.

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a consolidação do trabalho em parceria com a Defesa Civil que consolidou a chamada “previsão em consenso”, um modelo de trabalho em que a Epagri atua lado a lado com a Defesa Civil, unindo análises técnicas para emitir boletins conjuntos e avisos antecipados para que a prevenção realmente faça a diferença na ponta para a população.
Contudo, Gilsânia fez questão de lembrar que o El Niño não é o único responsável por eventos extremos. Ela resgatou a memória da histórica e devastadora enchente de 2008 no Vale do Itajaí (como no Morro do Baú), que ocorreu sob a influência da La Niña — o fenômeno inverso, que consiste no resfriamento das águas do Pacífico. Naquele ano, enquanto o Oeste catarinense sofria com uma seca severa, o litoral e o Vale enfrentaram três meses ininterruptos de chuva frequente.

Para finalizar, a meteorologista ressaltou que o impacto do aquecimento global é perceptível e cientificamente comprovado, atuando de forma a acelerar e intensificar os eventos climáticos.

Cientistas do mundo todo, incluindo órgãos renomados como a NOAA (Agência de Meteorologia e Oceanos dos EUA), monitoram os dados meteorológicos desde 1950 no qual fenômenos como o do El Nino e La Niña são estudados desde então.
Embora o El Niño seja um processo natural e independente do aquecimento global, as investigações científicas alertam para o futuro: com o planeta cada vez mais quente, as ações e os impactos do El Niño podem se tornar cada vez mais fortes e severos.

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