Saúde Mental em Pauta: Psicanalista Monick Torrinelli Campos explica a diferença entre tristeza e depressão e o papel do apoio familiar

Cuidar das emoções e da mente tornou-se um dos maiores desafios da sociedade contemporânea. Para jogar luz sobre esse tema essencial, o programa Veja BEM, comandado por Rafinha de Lima na Rádio Divino Oleiro, recebeu em suas manhãs a psicanalista Monick Torrinelli Campos.
Em um bate-papo profundo e acolhedor, a especialista trouxe esclarecimentos fundamentais sobre como diferenciar os altos e baixos naturais da vida de quadros patológicos, além de reforçar a urgência do suporte familiar.

Tristeza ou Depressão? Saiba como diferenciar os sinais

Um dos pontos de maior destaque na fala de Monick Torrinelli Campos foi a necessidade de compreender que sentir-se triste faz parte da experiência humana, mas que existe uma linha clara que separa esse sentimento da depressão.

• A Tristeza: É um estado emocional passageiro, geralmente engajado ou motivado por um acontecimento específico — como o término de um ciclo, uma perda ou uma frustração profissional. A pessoa fica triste, mas ainda consegue encontrar momentos de distração e mantém a perspectiva de que o sentimento vai passar.
• A Depressão: Trata-se de um transtorno profundo e persistente. Na depressão, a tristeza é contínua e vem acompanhada de uma perda generalizada de interesse ou prazer por atividades que antes eram prazerosas, além de apatia, fadiga extrema, alterações no sono e no apetite, e uma sensação constante de vazio que paralisa a rotina por semanas ou meses.

O papel vital do acolhimento familiar

A psicanalista alertou que o ambiente familiar pode ser tanto o primeiro refúgio de cura quanto um agravante, caso haja julgamentos. Monick enfatizou a importância do acolhimento sem frases feitas.
“O acolhimento familiar baseado na escuta ativa e na empatia é o primeiro passo para que o paciente se sinta seguro para buscar e aceitar a ajuda profissional de que precisa”, explicou a especialista.

Sinais de alerta em crianças e adolescentes

Um dos temas ressaltados durante a entrevista foi o sofrimento psíquico na infância e na juventude. Diferente dos adultos, que conseguem verbalizar o que sentem, as crianças e adolescentes manifestam a tristeza e a depressão leve de formas mais comportamentais. Pais e educadores devem ficar atentos a mudanças como:
• Irritabilidade crônica e explosões de raiva (que muitas vezes são confundidas com pirraça ou rebeldia).
• Isolamento social, preferindo ficar trancados no quarto a interagir com amigos e familiares.
• Queda abrupta no rendimento escolar e desinteresse por brincadeiras ou hobbies antigos.
• Queixas físicas frequentes, como dores de cabeça ou de estômago sem causa médica aparente.

Terapia para todas as idades: Um ato de coragem

Independentemente da faixa etária — seja na infância, na turbulência da adolescência, na vida adulta ou na terceira idade —, a psicoterapia foi apontada por Monick Torrinelli Campos como uma ferramenta indispensável de autoconhecimento e prevenção. A terapia oferece um espaço neutro e seguro para processar traumas, organizar pensamentos e desenvolver inteligência emocional para lidar com os desafios cotidianos.

Mulheres lideram a busca por ajuda profissional

Durante a entrevista, um dado do cotidiano clínico foi compartilhado: as mulheres continuam sendo as que mais procuram terapia. Historicamente mais abertas a falar sobre suas vulnerabilidades e emoções, as mulheres lideram as estatísticas dos consultórios.
Por outro lado, a especialista ressaltou a importância de incentivar os homens a também quebrarem barreiras culturais e preconceitos relacionados à masculinidade, mostrando que buscar ajuda psicológica não é sinal de fraqueza, mas sim de força, maturidade e autocuidado.

Para conferir todos os detalhes e acompanhar a entrevista na íntegra, acesse a transmissão gravada no YouTube.

https://www.youtube.com/live/X1Ly-op9DZ0?si=8KrXu5bZE9-Fh4Hd