A Comissão Episcopal para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e o Grupo de Reflexão em Comunicação, o Grecom, disponibilizaram um subsídio de estudo para aprofundar o tema do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais. A celebração será realizada no domingo da Ascensão do Senhor, em 17 de maio, com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, escolhido pelo Papa Leão XIV.
O material foi preparado para apoiar comunidades, pastorais, comunicadores e agentes de evangelização na reflexão sobre os impactos da cultura digital. A proposta é ajudar a Igreja a discernir como comunicar de forma mais humana em um tempo marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela aceleração das informações e pela presença cada vez maior de sistemas capazes de simular expressões humanas.
Segundo Moisés Sbardelotto, o contexto atual exige uma pergunta urgente: o que significa, hoje, uma comunicação humanizada? Para o pesquisador, essa reflexão não se limita à crítica da tecnologia, mas convoca a Igreja a orientar a inovação digital a partir de critérios inspirados no Evangelho, com atenção à dignidade humana, ao bem comum e ao cuidado com a Casa Comum.
Discernimento diante da cultura digital
Na apresentação do subsídio, a Comissão Episcopal para a Comunicação afirma que o material é um chamado ao discernimento constante diante da aceleração tecnológica. A preocupação central é que o desenvolvimento digital não silencie a presença humana nem reduza pessoas a dados, perfis ou padrões de comportamento.
O texto reconhece que a cultura digital pode ser uma aliada importante no anúncio do Evangelho. Ao mesmo tempo, ressalta que seu uso precisa estar orientado pelo compromisso com o próximo e pelos valores do Reino.
A reflexão também alerta para os riscos de uma comunicação movida apenas por engajamento, algoritmos e bolhas de opinião. Nesse ambiente, segundo a comissão, a missão da Igreja é promover escuta, diálogo e autenticidade.
Autenticidade em tempos de simulação
O subsídio propõe que comunicadores e comunidades cristãs sejam sinais de autenticidade em um mundo marcado por simulações, consensos fáceis e indignações rápidas. A preocupação é que o pensamento crítico seja enfraquecido e que a comunicação deixe de favorecer encontros reais.
Para a CNBB, a missão comunicacional da Igreja não pode se limitar à busca por alcance ou visibilidade. A presença cristã no ambiente digital deve construir pontes, reconhecer a dignidade de cada pessoa e favorecer uma cultura do encontro.
O material também relaciona comunicação, compromisso social e cuidado com a vida. Ao falar de “vozes e rostos humanos”, o tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais chama atenção para pessoas concretas, especialmente aquelas que têm sua dignidade ameaçada ou sua voz invisibilizada.
Pistas para estudo e ação pastoral
Os textos reunidos no subsídio oferecem pistas para aprofundar a presença da Igreja na cultura contemporânea. Cada capítulo aborda dimensões da mensagem papal, articulando reflexão teórica, análise crítica e perspectivas pastorais.
De acordo com o Grecom, o objetivo não é apresentar respostas prontas, mas provocar perguntas que ajudem comunidades e comunicadores a repensarem suas práticas. A proposta é favorecer uma ação pastoral mais consciente do contexto digital e mais coerente com o Evangelho.
Moisés Sbardelotto afirma que a expectativa é que o material contribua para uma comunicação eclesial comprometida com a cultura do encontro, na qual cada voz seja escutada e cada rosto reconhecido em sua dignidade.
Com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais reforça uma preocupação central para a Igreja: a tecnologia deve estar a serviço da pessoa, da verdade e do encontro.
