Um caminhão pertencente a uma empresa contratada pela Secretaria de Obras de Itajaí chamou atenção ao circular com uma bandeira estilizada, que une símbolos do Brasil, de Israel e o leão da tribo de Judá — imagem comumente associada ao meio evangélico e, nos últimos anos, utilizada em manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O uso da bandeira, semelhante à vista recentemente em um “bandeiraço” em frente à loja Havan, no bairro Fazenda, levantou dúvidas sobre possível desvio de finalidade no uso de um veículo a serviço do poder público.
A bandeira foi avistada no alto do compartimento de carga do caminhão, estacionado no local onde estão sendo realizadas obras de reforma dos deques de madeira no molhe de Itajaí. A situação chegou ao conhecimento da prefeitura nesta semana.
Em nota, o município afirmou que apurou o caso e recebeu a informação de que o item foi colocado não pela empreiteira responsável pela obra, mas por um dos motoristas que opera o veículo. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, o condutor justificou o uso da bandeira como uma manifestação de fé, por ser evangélico.
“A Secretaria Municipal de Obras entrou em contato com o prestador de serviço, que informou se tratar de um objeto posicionado não pelo proprietário do maquinário, mas sim pelo motorista do veículo. De acordo com o funcionário, a bandeira é um símbolo religioso — por ser evangélico, baseado na fé que pratica, colocou a bandeira que representa o Brasil e Israel, visto como um país do povo de Deus”, diz a nota oficial.
A prefeitura declarou ainda que, por se tratar de uma manifestação religiosa individual e que não interfere na execução do serviço, não pode exigir a retirada da bandeira.
A 9ª Promotoria de Justiça de Itajaí, que atua na área da moralidade administrativa, informou que não pode emitir parecer jurídico sobre situações específicas, pois isso configuraria consultoria jurídica — prática proibida pela lei orgânica do MP.